E o que isso tem a ver? Nada.
Na verdade, tudo! Primeiro, eu sou uma gay millennial, né... Bom... Para escrever um blog, o que mais eu poderia ser?
Durante a minha infância, adolescência e até como jovem adulto, as minhas referências de gay eram... piadas de diversas formas: por ser afeminada, por ser má, por ser chaveirinho de madame, entre outras coisas...
E eu cresci com isso. Ser gay era uma piada, mas eu nunca me senti como uma...
Eu tinha 21 anos e, pela primeira vez, fui buscar a cultura queer. Eu sabia o que era isso? Claro que não. Eu procurei por "filmes com temática gay" e encontrei, pela primeira vez, um universo com vários e vários filmes, desde 1900 e bolinha, onde havia relacionamentos entre homens. Nossa! Que deleite! Tantos e tantos títulos! Me senti como uma gazela livre na floresta... Eu tinha dito algo sobre não me sentir uma piada? Ah! Não leve as coisas tão a sério!
Eu vi vários e vários títulos, inebriado por tantas formas de representar essa coisa tão simples... Histórias tristes, tragédias, romances, dramas, com final feliz, comédia... Foram tantas produções, todas europeias ou dos EUA, algumas até latinas e de tantos outros países, porque eu não sei muito sobre geografia, porque eu não sou obrigada a nada!
Enfim... Eu encontrei os maravilhosos animes Yaoi. Sim, era como os BLs se chamavam naquela época, mas, depois de muitas polêmicas a respeito disso, a comunidade adotou o termo Boys Love para se referir a esse tema. E lá eu também assisti a vários e vários títulos, muitos, inclusive, um tanto sádicos... Mas, enfim... Ao decorrer de todo esse deleite, eu notei que a maior parte das produções, principalmente as europeias, ou as que eu considero europeias, tinham sempre aquele final em que os mocinhos não ficavam juntos, ou um deles enlouquecia e matava o outro, ou morria de doença, ou tinha que assumir uma família, ou simplesmente precisava ir para outro lugar por N motivos e tudo bem... Isso ficou como um retrato daquela época.
Mas eu me sentia triste, porque a maior parte das histórias era triste... Então, eu dei um tempo.
Era 2019, pré-pandemia. Já havia casos na China e a coisa estava escalando na Itália. Eu trabalhava que nem um doido e não tinha nenhuma válvula de escape. Pensando nas minhas experiências com filmes gays, decidi que não voltaria para esse limbo. Eu precisava de algo feliz.
Foi então que eu busquei por BL no YouTube e comecei a assistir a alguns cortes de animes soltos, até que cliquei num vídeo que parecia muito ser um bait. Falei: "Vou cair nesse." Cliquei.
Eram dois caras deitados na mesma cama. Um deles ficava insistindo em importunar o outro. Esperei mais um pouquinho, assisti ao corte e depois comecei a juntar fragmentos do que o algoritmo me entregava: legendas em inglês, diálogos rápidos...
Eu falei: "Eu vou descobrir que história é essa!"
Busquei no Google por fansubs e encontrei esse... A minha salvação!
Lendo os comentários desses vídeos no YouTube, descobri o título Addicted Heroin. Maratonei em poucas horas e queria mais. Busquei por toda a continuação, só achei rumores, reassisti acho que mais duas vezes e, depois que a sede me pegou, tive que explorar mais e mais...
Eu maratonei o site nas horas vagas, assisti a tudo o mais rápido que consegui, conheci os BLs tailandeses, que tinham o quê? FINAIS FELIZES!
E, desde então, eu estou lá, acompanhando. Não tudo, mas o que eu consigo, porque a coisa explodiu! São aproximadamente mil títulos de séries, quem dirá de filmes... Tantas outras nacionalidades, além da China, Japão, Taiwan, Camboja, Vietnã e Filipinas...
Esse foi o maior presente que o universo poderia me dar, além, é claro, das pessoas que eu amo!
Gratidão infinita!
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